Um dia a menos
E não é que fui assaltado? Eu, cara da Baixada, depois de 20 e poucos anos de Rio de Janeiro.
Claro que o primeiro pensamento foi: “Dei mole com a câmera, perdi”. Mas quando vi que os sujeitos não estavam armados, tentei conversar, distrair, usar o velho truque Jedi de repetir “Não tem câmera” até que ele acreditasse, e fosse embora com o dinheiro que eu tinha no bolso. Trinta contos. Um livro. Talvez 3, numa promoção de sebo. Isso para o degas. Para ele não sei.
Não sei se foi o truque Jedi ou outra coisa, sei que funcionou.
Trabalho a 35km de onde moro. Faço o percurso todo dia. Já peguei aquela confusão de dia de jogo na rodoviária Novo Rio várias vezes. Será que tudo isso aconteceu porque a motorista era flamenguista e a torcida que estava fechando o trânsito era do Fluminense? Talvez porque fosse dia 30 de maio, e o universo fosse esse mesmo aqui, onde estou contando essa história.
Tudo que eu queria era um pouco de Gentileza. Como me disseram que precisava mais outro dia. Fiquei com vontade de capturar um pouco do Gentileza deixado nas pilastras do Elevado da Av. Perimetral. Difícil fazer isso no dia a dia, já aprendi que ou você dirige, ou você fotografa. Não me queixo da sorte, nada quebrou quando aprendia. Daí aproveitei o dia em que estava de carona.
Carona depois da chave do meu carro partir na porta, quando estava no trabalho. Aborrecimento vem em 3? Teve um menor no dia seguinte, condução perdida da minha filha, mas foi tão bom levar ela de táxi dando atenção e conversando que esse não conta. Sigo esperando o terceiro.
E dessa vez não posso dizer “Podia ser pior, podia ser comigo”.
Se digo algo, já é bastante. Suficiente saber que a contagem regresiva continua.
–saff


