Um dia a menos
E não é que fui assaltado? Eu, cara da Baixada, depois de 20 e poucos anos de Rio de Janeiro.
Claro que o primeiro pensamento foi: “Dei mole com a câmera, perdi”. Mas quando vi que os sujeitos não estavam armados, tentei conversar, distrair, usar o velho truque Jedi de repetir “Não tem câmera” até que ele acreditasse, e fosse embora com o dinheiro que eu tinha no bolso. Trinta contos. Um livro. Talvez 3, numa promoção de sebo. Isso para o degas. Para ele não sei.
Não sei se foi o truque Jedi ou outra coisa, sei que funcionou.
Trabalho a 35km de onde moro. Faço o percurso todo dia. Já peguei aquela confusão de dia de jogo na rodoviária Novo Rio várias vezes. Será que tudo isso aconteceu porque a motorista era flamenguista e a torcida que estava fechando o trânsito era do Fluminense? Talvez porque fosse dia 30 de maio, e o universo fosse esse mesmo aqui, onde estou contando essa história.
Tudo que eu queria era um pouco de Gentileza. Como me disseram que precisava mais outro dia. Fiquei com vontade de capturar um pouco do Gentileza deixado nas pilastras do Elevado da Av. Perimetral. Difícil fazer isso no dia a dia, já aprendi que ou você dirige, ou você fotografa. Não me queixo da sorte, nada quebrou quando aprendia. Daí aproveitei o dia em que estava de carona.
Carona depois da chave do meu carro partir na porta, quando estava no trabalho. Aborrecimento vem em 3? Teve um menor no dia seguinte, condução perdida da minha filha, mas foi tão bom levar ela de táxi dando atenção e conversando que esse não conta. Sigo esperando o terceiro.
E dessa vez não posso dizer “Podia ser pior, podia ser comigo”.
Se digo algo, já é bastante. Suficiente saber que a contagem regresiva continua.
–saff


May 31st, 2007 at 11:10 pm
Saliel cronópio, perdeu o conteúdo dos bolsos…
“Um cronópio pequenininho procurava a chave da porta da rua na mesa-de-cabeceira, a mesa-de-cabeceira no quarto de dormir, o quarto de dormir na casa, a casa na rua. Por aqui parava o cronópio, pois para sair à rua precisava da chave da porta.” Dizem que o cronópio hoje em dia quebra as chaves dos veículos, mas dizem também que é a maldita que os cronópios começaram a tomar…
June 1st, 2007 at 2:06 am
Cronópios dançam tregua e dançam catala.
Eu não danço.
-saff
June 1st, 2007 at 10:14 am
Como se pode ler na wikipedia: “En general, los cronopios son presentados como criaturas ingenuas, idealistas, desordenadas, sensibles y poco convencionales, en claro contraste con los famas, que son rígidos, organizados y sentenciosos; y los esperanzas: simples, indolentes, ignorantes y aburridos. (…) El término “cronopio” terminó por convertirse en una especie de tratamiento honorífico, aplicado por Cortázar (y otros) a amigos, como en la dedicatoria de la traducción inglesa de 62: Modelo para armar, donde se dice: “Esta novela y su traducción están dedicadas al cronopio Paul Blackburn…”
Assuma-se, cronópio maior, o sucessor.
June 2nd, 2007 at 10:34 am
tem certeza que não dança?
pois acho que aí neste conto cotidiano você dançou um pouco, saliel.. e se saiu até muito bem!
: )
June 2nd, 2007 at 2:33 pm
Tio Saliel e suas habilidades jedi
guarde os poderes pra “terceira”
abraços
June 3rd, 2007 at 12:51 pm
Boas Salenas…
Paulo insiste em me chamar cronopio, seres verdes e úmidos, que quando se empolgam, perdem o conteúdo dos bolsos e a conta dos dias.
Tenho o hábito me deixar perder muitas coisas, incluindo o conteúdo dos bolsos, mas não perco a conta do dias…