Archive for the 'internet' Category

there is no place I’m going to

Train to Bombay

Novidades para os que gostam de novidade - Train to Bombay É coisa pra se ler (e ouvir ) de capa a capa, e depois assinar e ficar esperando chegar post.

Um belo achado. Viele Danke, Ms. T.

–saff

Trânsito

Tenho a impressão que só conhecidos frequentam esse espaço. Acho que por isso nunca disse o que fazia além de contar os dias e registrar a passagem do tempo.

Mas essa historinha de hoje pede um preâmbulo e uma explicação, nem que seja para deixar uns imaginando o que eu quero dizer com isso.

Neste século só trabalhei com engenharia de redes IP, em um dos principais provedores de infraestrutura desse país. Meu dia a dia é dedicado ao bom fluxo do tráfego dos pacotes na rede: Congestionamentos, coisas que não andam, me incomodam de sobremaneira.

Sou uma pessoa simples, acho que a felicidade é um ver um fluxo estabelecido, sem retransmissões ou perdas.

Em 93 eu conheci um monge tibetano, que ao ser informado do que eram aqueles nomes que aparecem num `traceroute’ - os roteadores de movem o tráfego da Internet - disse num inglês carregado: “These people who keeps these routers are close to enlightenment”. Não sei se foi isso, ou o fato de ser uma das coisas que gosto e sei fazer, e que consegui que me pagassem para fazer que me manteve na profissão.

Mas repito: Vivo de maneira simples e gosto de ver as coisas fluírem.

Acho que o desmoronamento do Túnel Rebouças e a ausência de caminhos alternativos pra o tráfego nessa cidade, e o fato de eu ter vivido mais engarrafamentos nos últimos dias do que em todas minhas vidas passadas, creio, me trouxe para esse assunto de hoje.

Vivi na pele a vida de um pacote IP, numa rede mal desenhada, com links congestionados e problemas de roteamento.

Mas a historinha de hoje não era sobre o degas, nem sobre o trânsito. Era uma piada para poucos, mas que compartilho com todos. É sobre encarar com bom humor as tragédias que passam, e as que vemos se aproximar. É sobre ser simples, bobo, e tratar aquilo que se vê na hora como uma desgraça como uma bobagem. E rir da bobagem, pois é esse o objetivo e a razão de ser de todas as bobagens.

Então, o resto desse post é para poucos, é um vídeo feito na última reunião da comunidade européia dos técnicos que se dedicam àqueles routers de alguns parágrafos atrás. E sobre a falta de visão dos `powers that be’. Sobre a nossa apatia e suas conseqüências. Com bom humor.


–saff

(a letra está aqui em baixo)

(more…)

Sossego

Você está realmente a fim de se irritar? Dá uma passadinha no Slashdot e leia a tripa de comentários no tópico sobre a mega-armação da Cisco.

–saff

Mapa

A piece of the IPv4 Address Space
clique pra ampliar

And there’s no map
and a compass
wouldn’t help at all

Björk Guðmundsdóttir, Human Behaviour

Até recentemente, o mesmo se aplicava à Internet. Até que a CAIDA (Cooperative Association for Internet Data Analysis) publicou dia desses um novo mapa que mostra com está a alocação dos endereços IP na Internet.

Endereço IP é um atributo que todos os equipamentos que se conectam à Internet recebem. Este atributo é único, para todos os efeitos práticos. Assim que se garante que as páginas arquivos, músicas, e-mails e recados mal-criados encontrarão seus destinos. A distribuição destes endereços e dos nomes associados a eles são na prática tudo o que se consegue governar na Internet, se olharmos apenas o seu aspecto tecnológico. Essa autoridade é delegado pela organização central para várias entidades, conhecidas como RIR (Regional Internet Registries). Existem 5 RIRs: AfriNIC. APNIC, ARIN, LACNIC e RIPE. Cada um destes recebeu porções do espaço de endereçamento e uma cor nesse mapa.

Mas veja, a idéia desse mapa daí de cima não é original. Saiu numa tirinha diária, que volta e meio eu destaco nas minhas leituras. O sujeito que escreve o xkcd.com teve a genial e brilhante idéia de se descrever o espaço de endereçamento IP utilizando uma curva de Hilbert. O efeito pode ser apreciado, na tirinha e no mapa. Os blocos alocados se mostram compactos, grande e pequenos quadrados. Melhor impossível, para se  ter uma idéia da proporção de cada bloco, e de quanto espaço um RIR está ocupando. Ou mesmo uma empresa que teve contratos com o DoD americano e ganhou belos nacos de endereços.

Existe um quadradinho aí em cima, no desenho principal, que eu destaquei. É todo colorido, e representa mais ou menos o último pedaço do swamp, que são as alocações mais antigas, sobreviventes no comecinho da década de 90. Está todo colorido, porque foram os primeiros países fora do eixo EUA - Europa (ou ARIN-RIPE) que receberam endereços, e que hoje já possuem seus própris RIR.

Perdido nesse quadradinho tem um pixel lá que é o endereço antigo do IBASE, que ainda existe, embora não seja utilizado. E o degas ainda é o contato técnico do pixel, que está lá, pedindo pra ser anunciado.

Mas parece que não digo coisa com coisa, e quero chegar logo ao ponto. Ou aos pontos: Um, a nostalgia de ver o mapa, o pixel, os RIR, e lembrar de bons tempos que não voltam, e notar que de uma tirinha humorística saiu um trabalho tão belo e simples, condensando a informação de uma forma que poucos gráficos seriam capazes de fazer. Posso não dizer coisa com coisa, afinal, mas afirmo isso tudo aí diz muito sobre aqueles tempos, sobre as pessoas que viveram aqueles tempos e principalmente sobre o espírito que animava as pessoas então.

E continua animando, ouso afirmar, prudentemente disfarçado pelo sarcasmo e cinismo.

–saff